Livro - Os Afogados e os Sobreviventes


Pra quem ainda não me conhece ou tá chegando agora, eu tenho formação em História, então se tem um assunto que gosto de ler é história. Por mais tristes que sejam rever alguns fatos do passado são necessários. Repassar essas informações são necessárias. Contar a experiência para o maior número de pessoas é necessário.

Primo Levi nasceu na Itália em 1919. Na juventude formou-se em Química, mesmo com o governo italiano barrando os cidadãos judeus de acessarem o ensino. Seu diploma foi marcado com a expressão "raça judia" e por conta disso ele teve dificuldades em continuar o trabalho na universidade depois de formado, em 1941, ápice da guerra.
Em 1943 Levi juntou-se aos Partisans, o movimento de resistência à ocupação alemã. Foi preso pela milícia fascista e quando descobriram sua descendência judia o enviaram para um campo de concentração. Foi transferido para Auschwitz em 1944. Ele passou onze meses no campo, até a libertação desde em 1945.


Esse livro é um resumo dos livros anteriores que ele publicou sobre o tema Holocausto, "Isto é um homem?", "A Trégua" e "Momentos de Reparação". "Os Afogados e os Sobreviventes" foi o último livro que escreveu. Levi conta no livro que sobreviveu ao campo por diversos fatores. Por falar um pouco de alemão e ter formação em química ele se tornou uma mão de obra útil e valiosa. Isso o levou a trabalhar em um laboratório que pesquisava um tipo de borracha sintética. Ele conta no livro que permanecer sem chamar a atenção de soldados e prisioneiros ajudaria ele a sobreviver. Sobreviveu à marcha da morte, por ter contraído escarlatina. A marcha da morte foi a evacuação dos judeus de um campo para outro, e é claro, vários judeus pereceram durante essas caminhadas.


O tema é claramente pesado e triste. Ele repassa suas experiências. Os soldados e oficiais cruéis. A fome. O frio. A sede. A dor. A doença. A morte. Conta sobre algumas relações no campo, amizades interessantes mas findadas por causa de um pedaço de pão. Fala sobre o que se tinha no campo, a colher, o copo, a cumbuca que custava uma vida. Nesse livro ele responde perguntas que muitos se fazem quando estudam o holocausto. Por que os judeus, em maioria, não se rebelaram? Uma questão que fazemos em relação à escravidão também. O fato de serem tratados como inumanos transforma de uma forma absurda até o mais consciente dos humanos. A forma como os judeus foram tratados, obrigados a uma adaptação que nos mostra que a capacidade humana não tem limites.


O povo alemão sabia do que acontecia? Levi, em seu capítulo VIII conta a relação que teve em trocas de cartas com alemães. Alguns contam suas lembranças e experiências, contam que achavam absurdo, o que sabiam e o que consideravam normal. É uma boa leitura para perceber pontos de vista sem generalizar. É uma leitura para não esquecermos, para não julgarmos e nem voltar a repetir.


"Os Afogados e os Sobreviventes" é da Editora Paz e Terra e tem 168 páginas. É uma leitura bem rápida, mas é densa, forte e tocante. Nos faz pensar na capacidade que temos de nos tornar inumanos, desde na nossa capacidade de ser cruel até a nossa capacidade de nos tornar míseros nadas.

Obrigada ao Grupo Editorial Record pela cortesia.

XoXo,
Grazy

4 comentários

  1. Confesso que não sou muito de ler! Meu tempo livre, gasto muito saindo com amigos e vendo séries e acabo não lendo muitos livros. Mas dica é muito boa, gostei :) bj!

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    1. Eu sou muito caseira, então acaba sobrando um tempinho!
      Beijão.

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  2. Oi Grazy, adorei a resenha. Como eu disse lá no blog, é um livro dolorido mas muito necessário, para que não esqueçamos o que aconteceu (e para que isso nunca volte a se repetir).

    Beijo!!!

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    1. É sim né Cá?! Achei legal que a gente tem umas leiturinhas em comum.
      Beijo

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