Pink Floyd The Wall

Quando criança eu morria de medo de um vídeo clipe que passava na TV. Nele, algumas crianças sem expressão facial eram jogadas em uma enorme máquina de carne moída. Como era criança eu não entendia a mensagem que o vídeo queria passar, apenas morria de medo de ir pra escola e virar uma das crianças de máscara que eram esmagadas e transformadas em nada mais que massa para hambúrguer.
Anos mais tarde, já na faculdade, estava eu num bar quando vejo um vídeo clipe com duas flores, uma rosa e algo que parecia uma orquídea. A banda ao vivo tocava algo que não encaixava com o que passava no vídeo clipe e passei a prestar atenção na televisão de tela plana, até perceber que se tratava de um amontoado de imagens, talvez contando uma história. Jamais esqueci das flores, onde uma passa a maltratar a outra, cortando pra cenas de enormes martelos em marcha estilo alemão do Terceiro Reich. Depois, em pesquisa na internet descobri que as imagens eram do filme The Wall, do Pink Floyd.

Algum tempo depois, Robson comprou o DVD do filme e do show de 1990 (não consigo lembrar se foram juntos, ou qual foi comprado primeiro) e eu poderia finalmente vê-lo na íntegra. Aqui, neste post que pode virar um super textão, eu conto a minha experiência.


O filme "Pink Floyd The Wall" foi produzido em 1982, baseado no disco duplo de mesmo nome lançado em 1979. O roteiro foi escrito pelo Roger Waters, o grande vocalista/baixista, e dirigido por Alan Parker (de Evita e Mississipi em Chamas). O filme possui poucos diálogos e são as músicas que o movem. As animações ficaram por conta do cartunista Gerald Scarfe, que também trabalhou nas artes conceituais de Hércules para a Disney. Pink Floyd The Wall apresenta a história de Pink, um roqueiro que apresenta um quadro depressivo desde a infância. A história apresenta as fases de dificuldades que levaram Pink a construir um muro em torno de si, que o levam à demência e ao fundo do poço. Em certo momento, não aguentando mais sua vida ele encara seu passado e consegue destruir o muro que o torturava e o mantinha inapto a ser feliz.

Nesse momento eu percebi o quanto as músicas e o efeito da imagem no filme é totalmente real, refletindo pessoas reais que se fecham em seu mundo através dos traumas do seu passado. Psicologicamente falando: enquanto não encaramos nosso próprio medo somos trancafiados por um muro sem portões, nem janelas, nem esperança; o que pode nos levar à depressão e à ruína. Tornou-se um dos meus filmes preferidos e eu queria mais!


The Wall - Live in Berlim, ocorreu oito meses após a queda do muro. O incrível foi ver que, enquanto o show ia passando, o muro era erguido de acordo com as músicas. Em um certo momento a banda toca atrás do muro até que há a queda do mesmo (assim como no filme). Nesse show vários outros artistas fazem participações com destaque para Cindy Lauper que canta Another Brick in the Wall Part II e Sinéad O'Connor que interpreta Mother acompanhada por Garth Hudson, Rick Danko, Levon Helm e The Hooters. O ponto alto, para mim, é a projeção do extinto muro de Berlim no muro do show e a aparição dos bonecos representando os grandes traumas.


E, pensando que não poderia ficar melhor, me enganei! No ano passado estava em exibição nos cinemas Roger Waters The Wall, e eu só não assisti porque o ingresso era bem alto. E nesse final de semana eu pude assisti-lo e fiquei chocada de como um show, uma história, pode ser incrivelmente tocante! Nesse show-documentário Waters aparece contando a história de suas perdas, do avô que morreu na Primeira Guerra Mundial, e do pai, que morreu na Segunda Guerra Mundial. Ele aparece homenageando ambos em seus lugares de repouso e viaja até à Itália, onde seu pai veio a falecer em batalha. Todas essas cenas são entrecortadas por imagens de sua turnê The Wall (que passou pelo Brasil). O ponto alto, para mim, foi a homenagem a três brasileiros vítimas de atentados terroristas. Chorei, de tão emocionante. Me arrepiei pra caraca. Não consigo pensar, nesse momento, em palavras pra descrever o quanto esse documentário me tocou. Mais uma vez é construído o muro, ao vivo durante o show! E imagino a emoção da galera que estava de verdade lá, nos shows. A tecnologia melhorou, e muito, a possibilidade das projeções no muro e ficou lindo, tocante e enorme.

The Wall é a história de todos nós. Cada medo, problema, pessoa vazia, ódio, sentimentos de culpa, cada coisinha é um tijolo no muro que construímos ao nosso redor. Uma obra a ser estudada, compreendida e levada pra vida.


Você já assistiu algum? Conta pra mim!

XoXo,
Grazy



11 comentários

  1. Tenho a impressão de que a Lari vai curtir esse post! akshjdaksdh
    MEU, que post incrível! Deu pra sentir sua emoção daqui!
    Alias, eu estava lendo no trabalho, algumas partes em voz alta, e ficamos conversando sobre isso, sobre música e etc. <3
    Nunca vi o filme, nem o show, mas vou procurar! Nem sabia desse negócio do muro. Meu amigo disse que o Pink Floyd fez o dvd do filme depois porque nos shows eles gastaram quase todo dinheiro que tinham. Também, tinham umas 10 mil pessoas trabalhando em cada show, construindo e destruindo o muro e tal. O_O
    Da hora, mano!

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    1. Siiiiim, a Lari curtiu esse post! HAHA
      E preciso ver o filme, viu. Sempre achei a música, o clipe e a história toda muito fortes. Muitas vezes, subestimada por parecer apenas um hino contra a escola... É fantástico como algumas músicas têm tanto significado!

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    2. Meninas lindas!

      Lari, veja o filme, please! Quero saber sua opinião.

      Bi, ♥

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  2. QUE POST MARAVILHOSO!*-*
    Gosto da banda pq meu pai AMA, mas é muito legal ler sobre sua relação com ela Grazi!
    beijos

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  3. Eu já assisti o Pink Floyd The Wall,e olha, é um dos filmes que mais mexem comigo. Nossa, deu até vontade de ouvir a playlist inteirinha - e isso que vou fazer AGORA!

    um bj,
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    1. Eu sou muito visual Rê, não me atenho tantos às músicas. Se eu não tivesse contato com o filme talvez as letras e melodias não me tocassem tanto.
      Um beijo :*

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  4. Agora uma fã declarada e apaixonada de Pink Floyd vai falar HAHAHAHAHAHH
    Amei seu post, Grazy ♥ porque será, né!? O The Wall do fim dos anos 70 foi gravado pelo Pink Floyd mas o disco foi todo criado pelo Waters, declaradamente é um disco dele (e não à toa, ele parou no tempo e vive dele até os dias de hoje.. o que acho uma pena, porque o cara no Pink Floyd era um gênio) falando sobre os traumas e o muro é simbolizado sempre nos seus shows.
    Tem ainda um outro disco, da década de 80, o The Final Cut.. também é todinho do Roger Waters, nele ele fala sobre a perda do pai na guerra ainda quando criança e eu amo a canção "Your Possible Past".. OUÇA, POR FAVOR! O refrão gruda na cabeça HAHAHAH
    E sobre homenagens, quando ele veio no Brasil na época do assassinato do Jean Charles em Londres, Waters colocou a imagem de Jean enorme no telão de fundo em homenagem no show de Porto Alegre.
    Gosto disso, ele é todo politizado, pena ter um gênio tão forte que culminou na saída dele do Pink Floyd e dali em diante não criou mais nada de grandioso. E ainda brigou na justiça com o restante da banda pelos direitos do Pink Floyd, é claro que perdeu feio. Hoje pelo menos ele e o Gilmour voltaram "às boas", ainda torço por uma turnê junta dos dois.

    Um beijo grande, Grazy!

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    1. Vou ouvir esse disco sim! Obrigada pela dica Bea ♥♥

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  5. Já vi o The Wall, na escola inclusive, na aula de história! :D
    Sou mega fã de Pink Floyd (tanto da época do Roger Waters quanto do David Gilmore, os dois são foda!), meu pai tem uma grande coleção de cds e vinil da banda, sou fã por causa dele inclusive, cresci ouvindo.

    Infelizmente não conseguir ir em nenhum show deles ainda :( espero que consiga um dia!

    bjão!

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    1. Eu sonho em ir numa turnê como essa. Deve ser incrível!
      Beijos

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