A Lista de Schindler (BEDA #17)

Ontem eu estava esperando a roupa terminar de lavar e me deparei com o filme "A Lista de Schindler" no Telecine Cult. Já falei mais de uma vez o quanto eu assisto o Telecine Cult e do quanto eu aprecio os filmes que contam a guerra, por mais absurda que seja. Aprecio pelo simples fato de poder ser um instrumento para abrir os olhos das pessoas em relação à maldade humana e nos alertar para que nunca mais cometamos esse erro enorme.

Eu li o livro "A Lista de Schindler" após assistir o filme. Fiquei tão emocionada com a narrativa! Algumas pessoas acreditam que por eu ter estudado história eu já esteja acostumada a essa realidade. Na verdade todas as histórias acerca da guerra me emocionam (vide essa resenha). Para quem não conhece o livro, nem viu o filme vou fazer um breve resumo de ambos nesse post.

Oskar Schindler é um empresário alemão, filiado ao partido nazista, que insatisfeito com as medidas do partido, tomou a iniciativa de tentar salvar alguns judeus da "solução final". Entre subornos e artimanhas, passando a imagem de um empresário que queria apenas mão de obra barata para enriquecer, Oskar conseguiu salvar mais de mil judeus.

Thomas Keneally, em seu livro, tomou o depoimento dos "judeus de Schindler", como os sobreviventes se auto denominavam. Depoimentos claros, emocionantes e aterrorizantes. Você percebe a emoção em cada página! A coragem e generosidade daqueles que se apoiavam um nos outros em meio a tantas atrocidades. A narrativa não é longa, minha edição da Best Bolso tem um pouco mais de 500 páginas cheias de verdadeira emoção de ter sido um sobrevivente e não um dos seis milhões de mortos.

O filme é uma obra prima dirigida por Spielberg. Oskar Schindler é interpretado magistralmente por Liam Neeson. Ben Kingsley é o contador judeu Itzhak Stern, que ajuda na confecção da lista, ele mesmo indicando nomes para Oskar. O vilão é interpretado pelo eterno Lord Voldemort Ralph Fiennes, que vive o oficial da SS Amon Göth, também "administrador do campo".


Amon era o verdadeiro nazista assassino, acordava pela manhã, ia pra sacada e praticava tiros nos judeus, um verdadeiro maluco. É bizarro imaginar que alguém assim andou por aí e fez aquelas coisas. Porém ele tinha Schindler em sua alto estima, claro, sempre agraciado pelos presentes caros que o fazia ficar cego ao que Schindler fazia.

Oskar era um fanfarrão. Justo e indignado com a matança vendeu e subornou muitos SS para conseguir com que os judeus que ele selecionou pudessem continuar nas suas fábricas, inclusive tirou eles do campo e os manteve na fábrica quando o campo de Göth fechou (enviando os demais judeus para Auschwitz). Schindler era mulherengo e inclusive foi preso por ter beijado uma judia que representava os judeus de sua fábrica, no dia do seu aniversário. Pelo que os relatos contaram, Oskar, quando decidiu abrir uma fábrica de munição, fez com que seu equipamento não permitisse fabricar munições que funcionassem. Comprava munições de terceiros para despistar a SS, pois dizia que "a fábrica dele não faria munições que funcionassem".

Diante de tantos relatos emocionados, diante de tanta crueldade não tem como se emocionar. Eu chorei mais uma vez vendo o filme, enquanto a roupa centrifugava. Ver o sofrimento de um povo, mortos a sangue frio! Choro, e choro sem vergonha de dizer, inclusive, choro no final quando os judeus presenteiam Schindler, quando eles recebem o ok para sair da fábrica e ir em rumo à sua liberdade. Choro na cena final, com os sobreviventes ao lado de quem os representou no filme.

Spielberg nos deixa um grande legado com seus filmes históricos e "A Lista de Schindler" é um primor. Começa com um Shabat colorido que vai perdendo a cor quando a liberdade dos judeus vai embora. O filme, em preto e branco, mostra uma menininha de vermelho super icônica, e mostra a cor das velas do Shabat no final. Depois volta a ter cor com a cena dos reais sobreviventes. É poesia que dói. Indicado a 12 Oscar, venceu 7, incluindo Melhor Diretor e Melhor Trilha Sonora pelo John Williams.


É um filme que dói em sua história. Mesmo depois de ter pendurado as roupas no varal e tomado um banho frio pra espantar o calor meu rosto continuava inchado. Até a mais dura das criaturas se emociona, se entristece e se lembra.

Steven Spielberg é contribuinte do Yad Vashen (Museu Memorial do Holocausto), a partir dos vídeos da sua própria fundação Shoah Foundation. Conheça ambos clicando nos nomes (sites em inglês).

É o tipo de história que eu digo que todos devem assistir, ler e ter suas experiências. E jamais esquecer.

XoXo,
Grazy


4 comentários

  1. Grazy.. eu li o livro e assisti o filme, chorei horrores das duas vezes. O livro é demais, e o filme não deixa nada a desejar... Realmente um trabalho lindo. na chocante é quando ele está fugindo e vê o anel dizendo que poderia ter salvado mais vidas... lindo... fico pensando se eu teria o peito que ele teve se estivesse no lugar dele... Maravilhoso post Grazy!

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  2. "É poesia que dói"
    É isso mesmo! Foi a melhor definição que já li sobre esse filme. Não li o livro, mas o filme não tem como ver e não chorar. Concordo com tudo que você escreveu e fiquei mesmo imaginando aquele cara na sacada atirando aleatoriamente em judeus. PORRA. Que mundo retardado a gente vive. E mesmo não sendo desse jeito hoje, ainda temos uns absurdos acontecendo.
    Mano, amei seu texto! :)

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    1. Acredito que sempre haverá maldade no mundo Bi. Infelizmente.
      Um beijo ♥

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