Livro: Emma

Terminei a minha terceira experiência de leitura com livros da Jane Austen. "Emma" foi uma grande surpresa para mim depois da minha decepção com "Razão e Sensibilidade". Emma foi o quarto livro lançado, o último em vida.


Emma é uma moça rica, sem preocupações que cuida do seu pai, um senhor hipocondríaco. Sua irmã mais velha conseguiu um ótimo casamento, tem lindos filhos e vive em Londres. Emma é uma garota bem nascida, mimada e sua diversão é "ajudar" os amigos, principalmente em relação à casamento.
Apesar de conhecida como casamenteira ela mesma não pretende se casar. Sua situação é muito favorável! Nessa história ela conhece Harriet, uma jovem moça que não tem tanta sorte em ser rica e de alta sociedade. Emma se vê na obrigação de ajudar a amiga a ascender socialmente e contrair um bom casamento. Porém ela não esperava várias situações em seu caminho, que leva ela a pensar sobre sua própria condição. Emma foi lançado em 1815 e contém adaptações em filmes. Sua história inspirou o filme "As Patricinhas de Bevely Hills".

Gostei muito de Emma depois do fiasco (me julguem) que foi "Razão e Sensibilidade"(perdão Austen). Muita coisa me chamou a atenção nesse livro: Emma, diferente das personagens dos livros que li anteriormente, não tem nenhuma dificuldade financeira e por isso não se preocupa em casar. Nem por amor nem por nada! Ela simplesmente quer continuar levando sua vidinha rodeada por seus amigos. Emma é uma personagem fútil e metida, mas mesmo assim amamos ela. Por se dar mal, por se dar bem. Ela é tola e depois percebe isso com uma bela de uma patada na cara! E isso a faz ser tão "real". Ela também é uma personagem que mente sobre seus sentimentos, nega tu do aquilo que acha errado. É preconceituosa e tola, muito tola! É o tipo de personagem que qualquer pessoa se identifica! Ela tem bens, é manipuladora. Mas não é má! Ela acredita que só faz o bem pras pessoas, pros seus amigos queridos. É como dizem: "de boas intenções o inferno está cheio!".

Emma me fez pensar na minha própria conduta. Que muitas vezes, pensando em fazer o bem acabo metendo meu nariz (que não é pequeno) no que não é da minha conta. Eu me fodo? Sim! Mas muitas vezes ainda me vejo na presunção de achar que estou correta. É algo que devo mudar? Talvez! É claro que preciso me policiar mais e deixar que as pessoas vivam suas vidas sem a minha opinião (afinal, se elas o querem vão pedir!).

Emma me mostrou que nenhuma escolha é pra sempre. Que as situações podem mudar. Que devemos viver nossas vidas e aceitar nossos sentimentos, evitando escondê-los. Esconder o que sentimos pode fazer com que percamos o melhor da vida, grandes oportunidades. Apesar dela ser rica e bem vista pelas pessoas que a cercam ela acaba percebendo que sua vida não era assim tão perfeita e passa a dar mais ouvido ao seu próprio coração independente dessa conduta ser ou não aceitável. Ela vê que nem sempre o mais aceitável é o certo e que o certo é ser feliz.

Uma pequena observação (que pode ser um spoiler): uma das amigas de Emma está grávida, mas só fiquei sabendo disso no fim do livro. Era uma personagem recorrente e importante e não teve nenhuma notícia da gravidez nem mesmo uma menção a não ser quando o bebê nasceu. Como fiquei curiosa e chateada (achei que eu tinha pulado, ou esquecido de algum detalhe do livro), fui dar uma pesquisada: naquela época era considerado "vergonhoso" falar sobre gravidez. Talvez por isso passou batida a informação. O nascimento era uma dádiva então foi narrado, diferente da gestação. Então se você leu e teve a mesma impressão que eu, aí está o porém!

Não preciso falar dos outros personagens, são tão bem estruturados quanto Emma. Os cavaleiros vão de idiotas completos, passando por babacas até o mais romântico dos homens. Não há um Mr. Darcy, mas há um Sr. Knightley que é um homem de muita boa educação que pode fazer as mocinhas suspirarem. Sem entrar em mais detalhes eu termino recomendando essa leitura. É uma boa oportunidade para se ler um romance que muitas vezes parece um suspense policial. Por fim: um clássico com um belo final feliz... como só a ficção pode nos proporcionar.

Já leu? Quer ler? Conta pra mim!

XoXo,
Grazy

8 comentários

  1. Eu não li o livro, mas tô vendo um filme (tô vendo por motivos de: dormi ontem e ainda não terminei, hehe) sobre a Jane. Do Netflix :) Você já viu? Acho que tu iria curtir!

    bêjo,
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    1. Não conheço (ainda) Rê! Mas valeu pela dica, vou procurar ;)
      Beijão.

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  2. Oi Grazy, eu (ainda) não li Emma ~ acho que seria um ótimo título para entrar nesse universo da Jane Austen.

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    1. Emma é bem divertido Camila, é diferente dos outros dois que li. Mas Orgulho e Preconceito é meu favorito ♥
      Beijo

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  3. Não li Emma. Já fui iniciada na Austen, mas não peguei esse até agora. Curto o jeito que ela escreve, curto as histórias atemporais e a forma real dos personagens, como vc mesma disse.
    Achei MUITO interessante saber esse lance sobre a gravidez. Se eu ler o livro, já terei em mente, mas não é só pelo livro, é pela informação. Achei muito interessante mesmo.

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    1. Eu sempre vou atrás de algumas informações que fico boiando, hehehehe. Um lugar diferente e um tempo diferente da nossa realidade né Mari?! Quando ler vem me contar!
      Beijo

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  4. Ai, que saudades eu estava desse nosso mundinho!
    Não tenho lido muitos livros ultimamente, mas estou com um projeto de minha irmã colaborar no blog com uma coluna de resenha de livros. O que achas, Grazy!?
    Um mega beijo e um lindo fim de semana!

    Bia

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    1. Eu acho um máximo Bia!! Eu não leio freneticamente, mas sempre tô lendo um livro sabe?! Não entendo quem consegue terminar um livro em um dia, ou não trabalha ou não absorve! (Li o último Harry Potter em um dia, mas é porque eu tava de folga e faltei na facul no dia, hahahahaha).
      Beijoo

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