Seja livre...

Neste dia internacional da igualdade feminina me veio à tona algumas ideias acerca desse tema. Temos tantas boas campanhas em prol do respeito pela mulher (como o Chega de Fiu Fiu) entre outros já tão explorados que este post sobre eles seria apenas mais uma exultação dos seus brilhantismos!

Lendo alguns periódicos antigos me deparei com duas situações ao qual gostaria muito de dividir com os leitores. Corrigi os textos de acordo com a linguagem e gramática atual, para melhor compreensão das frases.
"Deixemos a mulher no lar doméstico, de que ela é a rainha e o encanto mais poderoso, que ela ali crie seus filhos, os eduque na religião e na honra e de noite, quando o marido volta fatigado do trabalho do dia, que ela enxugue seu rosto banhado de suor e o console com o seu sorriso! Mas, a despeito dos nossos protestos e dos nossos pesares, a cruel necessidade ali está: nas famílias operárias a pobre mãe é muitas vezes obrigada a abandonar seus filhos e trabalhar fora sob a pena de ver aparecer em sua morada o espectro da fome. Ela vai pois! Mas seus filhinhos? O que lhes sucede?" (A MÃI DE FAMÍLIA, 1879)
 "Pobre mulher vítima da fúria dos homens que te querem conduzir ao abismo eterno da ignorância e estupidez! Por maior esforço que façam os homens para conduzir a mulher para a inferioridade intelectual, os fatos consumados a conduzirão para o Templo das ciências, do heroísmo, cingindo-lhe a fronte a aureola da igualdade intelectual do homem. (...) Avante Brasileiras! Que o vosso triunfo não está longe! Quebrem-se as cadeias que vos prendem os fracos pulsos!" (A MULHER, 1881).
Apesar de épocas bem parecidas, as duas frases emitem uma mensagem muito diferente uma da outra. Agora adivinhem: qual delas foi escrita por uma mulher.
Percebo que já faz muitas décadas que essas mensagens foram escritas e que o pensamento para ambas ainda continua intacta em alguns setores da sociedade. Essa semana ouvi uma mulher com medo do divórcio. O marido pediu o divórcio para ficar com outra mulher. E ainda arrebateu a coitada dizendo que, como ela nunca trabalhou na vida, não teria direito a nada. E ela com medo foi orientada pelo advogado, que disse que ambos tem direitos e que ela não ia simplesmente ficar sem nada.
Tal fato me marcou. Eu trabalho fora, sou instruída, mas vejo que nem todo mundo tem a sorte que tenho de ver o mundo sem vendas ou amarras. Ao meu redor as pessoas têm noção dos seus direitos, ao qual sou muito grata. Mas me dói ao perceber que pessoas como essa senhora, viveram sob a sombra do seu marido, não tem consciência nenhuma dos seus direitos e sua ignorância serviu para amedrontá-la.
Fora isso, quantas outras mulheres ainda se submetem às vendas da ignorância por seus pais e parceiros. Quantas são impedidas de estudar, de trabalhar, de viver suas vidas e suas escolhas?!
Escolhas...

O medo da nossa liberdade só pode ser pelo fato de sermos tão inteligentes que iremos dominar esse mundo. Um passo de cada vez?! Uma arrebatadora transformação?! Começamos por nós mesmas.

Be free...

XoXo,
Grazy.




4 comentários

  1. Bem, esse tema é muito vasto e (ainda bem) muito em voga ultimamente. É triste como as coisas parecem congeladas em alguns setores da sociedade mas, bem, estamos no brasil. Conheço uma mulher maravilhosa, que tem um problema parecido. Ela tem um marido que não trabalha. Eles moram em uma comunidade e ela praticamente sustenta tudo sozinha. Ele fica com os pés pro alto dizendo que ela não pode se separar porque ela não teria pra onde sem macho. E ela não se separa. Eu perguntei e ela me disse "ah, daria muito trabalho, deixa assim mesmo".
    O Brasil é foda, amiga, o Brasil é foda.

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    1. Temos muito pra evoluir ainda né Mari? Espero ainda ver uma sociedade mais igualitária e pessoas mais bem instruídas. Fazemos nossa parte por um mundo melhor!
      Beijos

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  2. O mundo ainda é machista e muitas das nossas ações são reflexos desse meio, mesmo nossas ações enquanto mulheres. Já houveram avanços tremendos, mas a desigualdade de gênero está aí, na nossa cara todos os dias, desde de nosso nascimento, com a escolha do azul e do rosa, até na vida adulta, com o direito de exercer a mesma função, mas ganhando menos.... A questão é muito mais profunda do que parece e sei que não estarei por aqui para ver a igualdade de direitos se efetivar, mas faço parte da luta do empoderamento das pessoas, e nesse caso, das mulheres...

    Beijo

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    1. Ainda aos trancos né Rita? Fazemos a nossa parte da melhor forma, acredito!
      Beijos

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