Extremos



Já vivi dois extremos na minha vida. Uma vida de Olivia Palito e a vida atual, a de gordinha. Sou gorda sim. Mas sou feliz. Deixa eu te contar!

Quando eu tinha 17 anos estava ingressando na facul. Eu pesava 39 kg. Sim! Eu era muito, mas muito magra. Estava muito abaixo do peso considerado normal pra uma adolescente que estava entrando na vida adulta. E eu não tinha nenhum problema psicológico ou alimentar: comia o que queria e quando queria. Não fazia dieta e muito menos era anoréxica. Eu era magra com cara de doente. Lembro que no final do primeiro ano da faculdade a turma fez um amigo secreto numa pizzaria. Eu comi tanto que as pessoas perguntaram pra onde ia tudo aquilo! Estava quase no horário do meu ônibus (eu estudava na cidade vizinha que eu morava) e fui ao banheiro, acabei demorando um pouco lá. Quando eu voltei ouvi alguém falar "só pode ser anorexia!" e alguém falando "será?". Fiquei na minha, porque eu ainda vivia numa época que pouco me importava com a opinião alheia.

Tempos depois numa visita à ginecologista, ela me instruiu a começar a tomar anticoncepcional. E disse que eu iria ganhar peso com o tempo... Foi ai que tudo mudou. A dez anos atrás eu vestia roupas de tamanho infantil, hoje eu visto 44/46.

Confesso que tive altos e baixos no meu psicológico nesse meio tempo. Ver roupas indo embora e aumentando de tamanho a cada ano me piravam. Lembro que um dia acordei e percebi que minhas coxas estavam cheias de estrias escuras e eu não lembrava de tê-las visto no dia anterior. Eu tinha um namorado na época e muitos dos motivos que levaram eu a terminar eram as formas como ele passou a tratar meu corpo. Numa formatura, um parente inconveniente dele disse que eu parecia uma grávida barriguda no vestido. Todo mundo riu. E eu chorei quando cheguei em casa.

Livre do estorvo me vi desgostando do meu corpo, querendo ter de volta os meus 39 kg. Minha mãe disse que eu tinha ficado louca, e era verdade. Nessa época eu estava bem mais magra do que estou agora. E estava infeliz. Até que fui começando a me arrumar novamente, sair com as minhas primas e amigos (♥) e aproveitar a vida, esqueci de me preocupar e passei a viver. Conheci o Robson nessa época, e ele é pra mim uma grande força e inspiração.

Ao lado dele engordei mais e mais. Mas não era culpa dele. Apesar de dividirmos tantas guloseimas me tornei sedentária. A minha carreira com o fim da faculdade estava bem distante de se tornar algo sólido (eu tinha dado aulas, prestado consultoria em história/cultura mas nada concreto nem ganhei grana com isso). Confesso que esse lance da carreira me afundou muito, pois eu sonhava em trabalhar com história e no fim foi tudo muito desanimador.

Em 2012 comecei um curso de Consultoria de Moda. Como minhas pesquisas na faculdade de história se voltaram para a área da Moda e da Cultura decidi me informar cada vez mais sobre essas coisas. A Consultoria de Moda me mostrou que podemos nos vestir bem, sem gastar muito e com o corpo que temos. Percebi que ser magro ou gordo é uma questão fisiológica e genética e nem sempre está relacionado ao conceito de saúde/doença. Aprendi a me amar, pouco a pouco.

Depois que vim morar aqui em Balneário Camboriú o processo dificultou um pouco. Trabalhei com comércio, busquei muito encontrar uma profissão que eu gostasse. Nesse meio tempo caí em depressão. Aqui eram só eu e o Robson. Estava longe dos amigos, da minha família, dos meus pais. As vezes eu me sentia só e sem sorte. Ainda me considero uma pessoa desafortunada, mas a vida está começando a mudar. Ganhei muito peso aqui, confesso que por continuar sedentária e também pela depressão...

Ano passado trabalhei dois meses num consultório odontológico e seis meses num estúdio de fotografia de moda. Foi uma mudança das grandes na minha rotina. Chegava exausta em casa e o máximo que eu conseguia era fazer um alongamento. Mas eu amava meu trabalho, por mais que as vezes esgotasse. Aqui era correria, então não era todo dia que eu comia bem. E em dia de produção eu só beliscava uma coisa ali e outra aqui em meio ao caos! Mas foi uma época boa, e quando o estúdio mudou de cidade e me vi sem emprego de novo engordei o que eu tinha conseguido emagrecer e mais um tantinho. Fiquei muito mal. Mas precisava reagir.

No meio dessa loucura de produção veio o blog. E depois o desemprego e o blog continuou aqui. E hoje, trabalho por meio período num trabalho de curto prazo, cuido desse espaço aqui e estudo à distância (um curso curto de extensão na área da Cultura), o que toma bastante da minha rotina. Faço caminhadas de casa-trabalho todos os dias. Não pego ônibus e carona só quando está chovendo torrencialmente. Me vejo feliz com minha rotina e 90% das vezes que me vejo no espelho eu gosto do que vejo (esse número precisa melhorar? Acho que sim, mas sempre fui crítica comigo mesma!)

Dieta? Estou fazendo uma reeducação alimentar porque os meus exames deram alterações. Colesterol e triglicerídeos altos. Além de vários cistos nos seios, que podem ser recorrentes ao peso. Ganhei uma fritadeira sem óleo e estamos comendo menos na rua. Tomo suco, evito refrigerante e tomo muita água. Tem dias que almoço shake, ou janto shake. Tem dias que como McDonalds. E tem dias que fazemos comidas juntos, eu e Robson sob a supervisão do Dominic.

E porque eu contei tudo isso? Porque por mais que eu me goste, que eu tenha um marido maravilhoso (que engordou um tantinho também), um cachorro fofo, pais e sogra excelentes e amigos muito incríveis, sempre vai ter uma ou outra pessoa que vai achar um defeito em você. Era assim quando eu era magra, era assim quando eu comecei a engordar e durante todo o processo e é assim hoje! Eu odeio academia, tenho problemas na coluna que me doem com certos exercícios. Na cidade eu faço quase tudo a pé. Hoje sou bem menos sedentária. Se ainda sou depressiva: minha vida não tá 100%, não tenho uma carreira consolidada mas estou cuidando disso com estudo e determinação. Mas sempre vai ter uma pessoa, ou um grupo de pessoas, ou uma revista, um site, um instagram ou um blog que vai tentar fazer você se sentir por baixo, vai tentar fazer você engolir toda essa filosofia fitness, que vai te magoar. A cada dia que passa aprendo a deixar isso pra lá.

E pras pessoas que não querem me aceitar gorda um recado: você não precisa ser minha amiga! Eu sou muito mais do que um corpo, um pedacinho de bacon+picanha saindo pra fora da calça sem querer. Sou uma pessoa com sentimentos, que merece bons amigos e pessoas que só vejam o que tenho de bom. Para todo o resto FODA-SE.

Sejam felizes, pois vivi os dois extremos e nenhum é perfeito!
Grazy

Um post desabafo sincero. Gigante. Mas de coração. Obrigada a todos que são inspiração pra mim. 

12 comentários

  1. Adorei! Não sou de ler esse tipo de texto mas esse me prendeu. Me identifico um pouco, teve um momento da minha vida que engordei por causa de uns medicamentos e foi a pior época. Como sou baixinha me sentia horrível, depois emagreci bastante com reeducação alimentar mas notei que não foi perder peso que me fez gostar de mim, foi me sentir bem. Mudando a alimentação eu comecei a sentir energia, a pele, melhorou, consequentemente emagreci, mas o bem estar com certeza não está relacionado ao número que visto. Acho que o segredo é procurar o que te faz bem de verdade, se o exame de saúde aponta uns probleminhas a gente tem que arrumar né. No fim das contas vale a pena trabalhar a auto estima de verdade e não só aparência. Beijão <3

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    1. Pois é Bessie. Me sacrifiquei muito em busca do "peso perfeito" mas os resultados mais me deprimiam do que me alegravam. Acredito que devemos ser saudáveis, afinal, nem todo mundo nasceu igual e nem todo mundo é magérrimo ou bombado. Cada um tem um metabolismo né mesmo?! Obrigada pelo comentário ♥

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  2. Grazy,
    A gente tem que se sentir bem , porque sempre tem alguém tentando mudar isso. Eu costumo dizer que nunca fui magra , então essa história de tamanho único só me irrita...
    Ser feliz é só o que interessa,bjs

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    1. Temos que ser felizes né Mônica!!! Beijão e obrigada pela presença aqui!

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  3. Nossa Grazy, que post-desabafo lindo! Acho que o caminho é esse mesmo: aprender a gostar de nós mesmos e encontrar maneiras possíveis de nos manter saudáveis e felizes! <3

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    1. Obrigada Camila! O importante é ser feliz sempre! Beijão!

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  4. Gostei muito desse texto.A verdade é que as pessoas sempre irão nos criticar,o importante é nós gostarmos de nós mesmos:)
    Reflexoesdaminhamentedoida.blogspot.com

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    1. Bruna, o exercício para deixar de se importar com a opinião dos outros continua a cada dia. Assim vou crescendo, me conhecendo e me amando cada vez mais!
      Beijo grande e obrigada pela visita! ♥

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  5. Ai, ai os outros... sempre eles! kkkk Eu sempre fui magrela, sempre! Do alto dos meus quase 1,70 m eu só passei dos 50 kilos depois de passar das 30 primaveras e, mesmo assim, não fiquei longe disso, continuo magrela... E desde sempre, desde que me lembro, sou a Olívia, a perna de saracura, esses apelidos carinhosos todos... Mas acho que aprendi a lidar com isso muito cedo e enfrentar e aceitar que eu sou assim e pouco eu podia fazer... Eu sou formada em Educação Física, a faculdade dos gostosos e sarados e eu nunca fui nenhuma coisa nem outra, às vezes me sentia deslocada, mas sabia que o mais importante era ser saudável e não de plástico e é isso que eu tento passar para os meus alunos (mesmo eles não querendo saber)...
    Grazy, "o importante é ser você"! Quem estiver preocupado se somos gordas ou magras, principalmente através da internet, melhor não ficar por perto! Acredito que todas temos muito mais a oferecer, que está dentro de nós e cabe bem, sejamos do tamanho que formos!

    Beijitos!

    http://www.donnarita.com.br

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    1. Por um mundo com mais "eu me amo" né mesmo?! Adorei o seu comentário, dá uma força a mais sempre!!! Obrigada por estar sempre aqui! ♥♥

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  6. Muito legal seu post, acho que o importante é ser feliz do jeito que achar melhor! Tbm sempre fui magra e depois que casei/comecei a tomar anticoncepcional, engordei um pouco, mas ainda sou meio palita nas pernas e tal, normal para nós mulheres, os hormônios mexem muito com a gente!!

    Você já tentou pilates? É ótimo para a postura, alongamentos e fortalecimento dos músculos!

    Bjão!

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    1. Oi Bia, tenho muita vontade de fazer pilates, mas na minha cidade o preço é um pouco elevado para meu orçamento, infelizmente. Mas é a minha primeira opção para exercícios!
      Obrigada pela visita ♥

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