O Queijo e os Vermes - Livro

Esse post contêm assuntos que envolvem algum tipo de religião. Não sinta-se ofendido caso minha opinião ou o conteúdo do livro seja diferente da sua.


Conheci "O Queijo e os Vermes" durante a faculdade. Li naquela época e a alguns meses eu comprei meu exemplar.
O livro, escrito pelo historiador Carlo Ginzburg, conta a historia de Menocchio, um moleiro do norte da Itália do século XVI que foi preso pela Inquisição por pregar ideias pouco convencionais. Resumindo: Menocchio tinha dúvidas sobre a Bíblia e a Igreja da época.
O documento é riquíssimo! Possui muitos detalhes sobre o processo inquisitorial, sobre a família de Menocchio e o meio em que ele vivia. Possui diálogos de inquérito muito bem postos. Mas o que eu mais adoro nessa leitura é como um simples camponês pode mexer tanto com a grande instituição católica.
Os questionamentos do Menocchio são plausíveis hoje, na atualidade. Mas na sua época ele foi um homem com pensamentos muito à frente do seu tempo. Em uma sociedade totalmente religiosa, temerosa pelos males do demônio e das bruxas, cegos por uma sociedade ignorante e sem acesso às informações e com medo de pensar, de indagar! Menocchio se sobressai por saber ler e escrever um pouco, por entender um pouco de latim e por ter acesso a algumas leituras, principalmente a Bíblia (em vulgar na época) e o Alcorão, que o permitiu a ter suas próprias opiniões e questões sobre divindade e religião.
Confesso que, sendo agnóstica, tenho várias dessas dúvidas que Menocchio tinha. O que é Deus? Como surgiu o mundo? Como se atribui divindade às pessoas? Enfim, questões e mais questões. O que quero dizer aqui é que a leitura é um grande e importante documento da história, pois com ele é capaz de entender que o mundo que saia do medieval pro moderno também tinha gente simples com mentes brilhantes e incapazes de se cegar pela massa. Pessoas como Menocchio deviam ser inspiração pois se permite negar ou questionar o meio em que se vive. Infelizmente pra ele foi o cárcere perpétuo e talvez até tenha sido executado pela Inquisição que via nele uma ameaça à fé católica.
Para quem gosta de história: um prato cheio. Para quem não é muito fã: pode ser uma possibilidade de abrir sua mente à essa leitura tão sábia e que nos faz pensar.

"Tudo o que se vê é Deus e nós somos deuses"

Essa edição é a versão de bolso da Companhia das Letras.

XOXO,
Grazy

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